domingo, 26 de outubro de 2014

É engraçado
Olho no espelho e pela primeira vez em 19 anos, me reconheço. Pela primeira vez eu sei que estou viva e não preciso mais (bêbada) perguntar "quem sou eu?" nos banheiros sujos de lugares que não deixaram saudades. Arrependimento não cabe em nenhuma linha, porque afinal, tudo se entrelaça, como um cabelo embaraçado de alguém que faz amor a noite toda...
Olho no espelho e essa sou eu... engraçado... tem coisas que nunca tinha reparado, sentido, ouvido... não sei se aquela tristeza ainda vem nas noites mais escuras, onde nem a lua se vê, e, o vazio que antes me dominava (não importava a circunstância) não me dói mais, aquela dor... era a pior dor de todas... porque não existia mais nada naqueles momentos, além do som desesperador da goteira que vinha da minha mente.
Olho no espelho e consigo ver aquela menina mimada. Vejo também, uma mulher. Estou perdendo de vista aquela adolescente que arrastava os pés e apagava o cigarro embaixo do all star. Lembro de alguém dizer "um dia tu vai estar fumando de pés descalços e vai fazer a mesma coisa...". Isso pode ser uma metáfora pra câncer de pulmão ou algo assim. As metáforas nunca mudam... Mas acho que parei de fumar.
Olho no espelho
São tantas memórias
Vãs
Entrelaçadas
Nenhuma delas importa tanto assim
Pra mim
Talvez tu esteja certo, sobre eu gostar de apimentar histórias
Talvez eu só não tenha perdido esse costume
Porque era o que dava graça na minha vida
Hoje os dias são outros
Eles vão passando
Espero que continuem me levando
A mim mesma
E a ti