Tiago
Há um ano atrás, nós éramos um. Hoje somos milhões. Milhões de faces, de gestos, ideias, pensamentos, milhões de sorrisos e lágrimas, nós rimos e choramos com outros. Nós nos compartilhamos com outros. Tudo o que antes era singular, hoje foi dividido. É bom saber dividir, mas dói o peito quando penso que há exatamente um ano atrás nós éramos apenas um. Hoje já não sei do que aprendeu a gostar, só lembro daquilo que conheci e prefiro esquecer do que nos separou. Te mantenho guardado naquela caixa em forma de coração. Tuas palavras estão no fundo do guarda-roupa, assim como em mim. É quase absurdo pensar em nós. Parece um delírio de um ano e meio. Uma erupção que parecia infinita, mas que agora cessou. Nós dois juntos éramos como uma caricatura da intensidade. Desde os bilhetes até na cama. Faz tempo que não choro por nós, desde novembro, mas ontem acordei com uma sensação de angústia, de inquietude, de silêncio, de sobriedade excessiva e ao mesmo tempo embriaguez. Tão longe, tão impossível, inalcançável.
Me preocupo com aquele que tanto conheci.
Agora viramos sombras. Viramos cicatrizes que quase sumiram. Viramos dedicatórias dentro de livros. Viramos um coração em uma árvore, que nunca morrerá.
Eu amo aquele que encontrei em 2012.
Te vejo qualquer dia desses, enquanto tomo um café, escorada na parede.
"Me empresta um cigarro?"
Ana